Reconectando com a Natureza

Educação Ambiental através da Fenomenologia de Goethe

Este é um projeto do Instituto Ciência e Arte em parceria com a Universidade Aberta do Meio Ambiente e da Cultura de Paz (UMAPaz) - Secretaria do Verde e o Núcleo de Apoio à Pesquisa Sobre Populações Humanas e Áreas Úmidas Brasileiras (NUPAUB) - USP, com apoio da Associação Sophia de Educação Antroposófica.

Veja o folder eletrônico (PDF) do projeto.

Veja o informativo do curso na UMAPaz (PDF).

Público Alvo

Todos os interessados em viver em grupo uma aproximação com a natureza, incluindo a humana, através de um aprofundamento da percepção através de uma metodologia que integra arte e ciência em quatro viagens a uma Ilha muito especial.

Objetivos Gerais

  • Ampliar a consciência ecológica compreendida em suas dimensões ambiental, social e individual.
  • Transformar a relação abstrata/intelectual/distanciada do indivíduo com o ambiente em direção a uma relação experiencial de proximidade e envolvimento.

Objetivos Específicos

  • Capacitar agentes em educação ambiental através do treinamento na fenomenologia de Goethe com estudos teórico-práticos de Geologia, Botânica, Zoologia e Antropologia.
  • Treinamento em Fenomenologia de Goethe.
  • Permitir a replicação da metodologia empregada a partir de 2009 em “outras ilhas” (parques, praças, projetos, etc).

Coordenadores do Projeto

Dr. Ricardo Ghelman
Médico pediatra e da família, doutor em Medicina e coordenador do Setor Interdepartamental de Medicina Antroposófica da Unifesp/EPM (SIMA) e presidente do Instituto Ciência e Arte.
Ms. Bárbara E. P. Fonseca Rodrigues
Engenheira geóloga (UFOP), espeleóloga (SBE), mestre em Geociências e Meio Ambiente (UNESP), consultora GAIA e pedagoga curativa.

Docentes

Além dos coordenadores, presentes em todos os módulos, serão convidados especialistas nas áreas específicas de cada módulo.

Prof. Dr. Antonio Carlos Sant’Ana Diegues
Graduado em Ciências Sociais (USP), com especializações em Regional Planning pela Institute Of Social Studies e em Environment Et Dévelopment pela École Pratique Des Hautes Études. Mestre e doutor em Ciências Sociais (Sociologia) pela USP.
Prof. Dr. Moysés Gonsalez Tessler
Geólogo, mestre e doutor em Geociências (Geologia Sedimentar) e livre-docente na área de Oceanografia pela USP. Professor associado (livre-docente) do Departamento de Oceanografia Física, Química e Geológica do Instituto Oceanográfico da USP.
Ms. Cristiano Mazur Chiessi
Geólogo e mestre em Geociências (Geologia Sedimentar) pela USP. Doutor em Ciências Naturais (Paleoceanografia / Paleoclimatologia) pela Faculdade de Geociências da Universidade de Bremen, Alemanha.
Andrea D’Ángelo
Agrônoma consultora em Agricultura Biodinâmica com formação em Fenomenologia de Goethe pela Seção de Ciências Naturais do Goetheanum.
María Laura Gutiérrez
Escultora, com especialização em artes e terapeuta artística, formada pela Associação Sagres. Aluna da pós-graduação em Psicologia Clinica na USP, sob orientação do Prof. Dr. Gilberto Safra.
Marcelo Petraglia
Músico, compositor e pesquisador sonoro, formado pela ECA-USP e mestrando em Biologia pelo Instituto de Biociências da UNESP - Botucatu.
Amauri Falseti
Diretor e fundador da Cia. Paidéia de Teatro, um dos fundadores do Centro Cultural Monte Azul, participou de festivais nacionais e internacionais de teatro.
Selmo Bernardo
Biólogo monitor e fiscal do Parque Estadual da Ilha do Cardoso.
Romeu Mario Rodrigues
Monitor do Parque Estadual da Ilha do Cardoso, desenhista, taxonomista e nativo da Ilha.

Estrutura do Curso

Quatro módulos ao longo de um ano, com um curso teórico na UMAPaz intercalado com quatro expedições (estudos do meio) denominadas Quatro Olhares Sobre a Ilha, pelo Instituto Ciência e Arte.

  • Módulo I
    • Arte enfocada: Modelagem
    • Curso UMAPaz: Introdução e Geologia
      Apresentação do Método Fenomenológico de Goethe, geologia geral fenomenológica e geologia brasileira.
      25 a 27 de abril
    • Expedição (estudo do meio): Geologia
      Parque Estadual da Ilha do Cardoso (PEIC), na região do Marujá.
      22 a 25 de maio
  • Módulo II
    • Arte enfocada: Pintura
    • Curso UMAPaz: Botânica
      Botânica geral fenomenológica e estudo da metamorfose das plantas.
      6 a 8 de junho
    • Expedição (estudo do meio): Botânica
      Parque Estadual da Ilha do Cardoso (PEIC), na região do Perequê.
      26 a 29 de junho
  • Módulo III
    • Arte enfocada: Música
    • Curso UMAPaz: Zoologia
      Zoologia geral fenomenológica e estudo de morfologia comparada.
      8 a 10 de agosto
    • Expedição (estudo do meio): Zoologia
      Parque Estadual da Ilha do Cardoso (PEIC), na região do Perequê.
      28 a 31 de agosto
  • Módulo IV
    • Arte enfocada: Artesanato dos caiçaras e fandango (dança típica)
    • Curso UMAPaz: Antropologia
      Antropologia geral, etnias brasileiras e caiçaras.
      12 a 14 de setembro
    • Expedição (estudo do meio): Antropologia
      Parque Estadual da Ilha do Cardoso (PEIC), na região do Marujá.
      23 a 26 de outubro
  • Atividade inter-módulos
    • Elaboração do registro e produção de material escrito e áudio-visual da experiência temática.
  • Avaliação e apresentação dos estudos
    • Data: 7 a 9 de novembro

Local

O Parque Estadual da Ilha do Cardoso (PEIC) está localizado no litoral sul do Estado de São Paulo, no município de Cananéia, abrangendo uma área de 15.100 ha. Cananéia está no centro de um corredor biológico de 110 km que se estende desde a foz do Rio Ribeira em Iguape (SP) até a baia de Paranaguá (PR) e é um dos maiores berçários de vida marinha do planeta. Tombada pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade e apontada pela revista americana “Condé Nast Traveler” como o melhor roteiro ecológico do mundo, a região lagunar-estuarina de Cananéia, conhecida como Lagamar, é uma fantástica coleção das águas de muitos rios, baias e lagoas com o mar e compreende, num só lugar, 4 ecossistemas: mangues, dunas, restingas e a Mata Atlântica.

O PEIC é considerado um dos principais criadouros de espécies marinhas do Atlântico Sul, sendo prioritária a sua conservação. Abrange um conjunto de lagunas, braços de mar, estuários, barras, ilhas e morros isolados. No Parque são encontrados todos os tipos de vegetação da Mata Atlântica costeira: vegetação pioneira litorânea e de encosta, além de vegetação de altitude. Este rico mosaico de vegetação proporciona uma variedade extraordinária de ambientes e uma grande e inestimável diversidade biológica. Os manguezais formam-se no Canal do Ararapira e na Baía de Trapandé, na face ocidental da ilha. Além disso, uma extensa restinga cobre a maior parte da planície litorânea da Ilha do Cardoso.

Existem seis comunidades caiçaras no PEIC. Com forte influência cultural indígena, desenvolveram um apurado conhecimento da natureza. São formadas, em sua maioria, por pescadores que, atualmente, têm o turismo como fonte substancial de renda.

No Parque são encontrados numerosos sambaquis (sítios arqueológicos, datados entre seis e quatro mil anos), ruínas da ocupação humana a partir do período colonial e um marco do Tratado de Tordesilhas, que também garantem grande importância histórica ao PEIC.

“Natureza e Arte parecem contradição
Mas se encontram — pasme! — desde sempre;
Também em mim desvaneceu-se a rejeição
E ora ambas me atraem igualmente.
Necessário é o esforço genuíno!
Então, se n’algum momento raro e estreito
Com espírito e empenho à Arte nos unimos,
A Natureza pode arder de novo em nosso peito.
Assim se dá em todo aprendizado:
Em vão se esforçam espíritos rebeldes
Por conhecer a plena realidade.
Quem almeja o grande há que ser concentrado;
É na contenção que se revela o Mestre
E somente a lei nos conduz à liberdade.”

J. W. Goethe
tradução: Marília Barreto